domingo, 25 de setembro de 2011

Inscrição para minha Lápide


Se algum dia eu tiver uma,
peço aos amigos que inscrevam
palavras em minha lápide:
algum verso colhido de meu riso,
da dor ou da resignação. Não importa!
Mas quero o meu sorriso presente
na derradeira hora da benção
para que todos cantem comigo.

E se,
nos tempos a virem, nada tiver de meu
que compre uma lápide bela e vã,
e tiver que adormecer a cabeça
sob a sombra úmida de um canteiro,
peço-vos que guardem no coração
a minha mais pura lembrança.

E que o corpo seja húmus para a terra,
o meu coração seja vida para as flores,
e que o nome retorne ao que era:
palavra nas águas, brisa nas árvores.

Que todos os meus andrajos da vida
sejam devolvidos à mesma terra
de que foram feitos. Porque a alma,
esta eu devolvo pessoalmente

A Deus.



Ailton Rocha

4 comentários:

Ana Coeli Ribeiro disse...

"Que o corpo seja humus para a terra, meu coração vida para as flores.."
Que coisa bela e emocionante de se ler. Maravilhosa e sábia tua poesia!
Luz!
Ana

José Turner disse...

Amigo Ailton

Tomei a liberdade de reproduzir as suas belas palavras no "Memórias e Novidades" que se sente profundamente honrado pela sua presença!

Abraço amigo desde Portugal

Ailton Rocha disse...

Ana Coeli, obrigado pela constante presença e carinho! Abraço do Ailton

Pedro Turner, caro leitor de além mar: de Portugal, país irmão pelo mesmo idioma e história! A sua apreciação sensível e sincera me honra.
Abraço amigo do Ailton

Maxwell Soares disse...

Na minha eu colocaria a seguinte frase: "Aqui jáz um Indivíduo."

Viva, Kierkegaard. Um abraço, amigo...