sexta-feira, 29 de maio de 2009

No Palácio de Espelhos



é madrugada
a bailarina gira inebriada
no palácio de espelhos

em música
os fantasmas erguem-se
esguios

na imaginação:
todos: altos belos brancos
quase vivos

no centro do salão
um poeta opaco rodopia
trazendo o sol entre os dedos

a bailarina cansada
nada vê
fecha os olhos

e dorme




2 comentários:

Anônimo disse...

Interessante como este poema é música pura.... sons em palavras que desaguam em oceanos vastos de um tempo precioso, de um tempo sereno e cristalino... E sobretudo, tem mesmo uma melodia singela do Bené compositor para também fazer girar a bela bailarina de tua inspiração e assim deixar o poeta no divã das estrelas...

Abraço...

Edgard

Ailton Rocha disse...

Caro Edgard

Concordo com você. A canção, enquanto literatura, tem uma musicalidade própria. E quando nela se coloca a harmonia da música, adquire outra melodia, outro ritmo, torna-se uma versão interpretativa, porque a compreensão que o compositor tem da mensagem poética é intimista, apesar de não se afastar do sentido das palavras. Você é músico e compreende bem essas coisas.

O Bené Brito, compositor cuja sensibilidade e talento ambos admiramos, compôs duas versões musicais para essa canção. A segunda versão me agradou mais do que a primeira. Ficou ótimo o andamento do piano, como um complemento para as frases, dando um outro sentido ao ritmo e às pausas naturais do texto. O resultado ficou muito próximo de um Lied.

Estou esperando que ele me mande uma gravação cantada por uma soprano para colocar aqui. É muito interessante notar que são dois mundos diferentes, cada um com sua linguagem própria: a literatura e a música. Mas quando conseguem se complementar, adquirem essência una.

Abraço
do Ailton